Entrevista a Sérgio Miguel Rocha (Presidente da Junta de Freguesia de Nelas)
16-OUT-2026
Introdução
Encontrar, transformar e construir: uma conversa com Sérgio Miguel Rocha
1. Como encontrou?
Fernando Neto - Quando assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Nelas, que realidade encontrou e qual foi o primeiro problema que sentiu que precisava de ser atacado?
Sérgio Miguel Rocha
Quando assumimos a presidência da Junta de Freguesia de Nelas, encontrámos uma realidade com desafios, mas também com oportunidades para fazer mais e melhor pela nossa população.
Desde o início, percebemos que era fundamental modernizar os serviços e aproximar a Junta das pessoas. Por isso, apostámos numa freguesia mais digital, através da remodelação do site da Junta e caixas de correio próprios, tornando-o mais atual, acessível e útil para os cidadãos.
Ao mesmo tempo, identificámos a necessidade de reforçar a capacidade de resposta no terreno, sobretudo nas áreas da limpeza urbana e florestal. Queremos apostar progressivamente em recursos humanos próprios, que nos permitam responder com maior rapidez, autonomia e eficácia às solicitações da população.
O nosso objetivo é simples: uma Junta mais moderna, mais próxima e mais eficaz, capaz de responder às necessidades reais das pessoas e de melhorar a qualidade de vida na nossa freguesia.
Fernando Neto - Encontrou uma Junta preparada para responder às necessidades da população ou havia situações que exigiam uma mudança profunda?
Sérgio Miguel Rocha
Encontrámos uma Junta com um percurso e um trabalho realizado pelo executivo anterior, que naturalmente respeitamos. Quem assume responsabilidades públicas deve ter a capacidade de reconhecer o que foi feito, independentemente das diferenças políticas.
No entanto, governar também é ter visão, definir prioridades e perceber que há sempre espaço para fazer diferente e melhor. Foi com esse espírito que nos apresentámos perante a população de Nelas, com um projeto próprio, novas ideias e uma estratégia assente numa maior proximidade aos cidadãos, numa gestão mais dinâmica e numa capacidade de resposta mais eficaz às necessidades da freguesia.
Não estamos aqui para apagar o passado, nem para fazer julgamentos sobre quem nos antecedeu. Estamos aqui para assumir as nossas responsabilidades, imprimir uma nova dinâmica e demonstrar que existem outras formas de gerir, outras prioridades e outras soluções para os desafios que temos pela frente.
A continuidade das instituições é importante, mas isso não significa que as políticas tenham de ser as mesmas. Respeitamos o trabalho de quem cá esteve, mas fomos eleitos para implementar as nossas ideias, cumprir os nossos compromissos e construir o futuro da Freguesia de Nelas com ambição, responsabilidade e sentido de missão.
Fernando Neto - Houve alguma coisa que encontrou e que o tenha surpreendido particularmente?
Sérgio Miguel Rocha
Diria que, de certa forma, tudo foi uma aprendizagem e uma surpresa, porque iniciámos o nosso mandato com pouca informação sobre algumas das realidades e dos procedimentos internos da Junta. Quando assumimos responsabilidades, temos sempre muito para aprender, e é com humildade que reconhecemos isso.
Quero, por isso, destacar e agradecer publicamente às funcionárias administrativas da Junta de Freguesia de Nelas. Foram elas que, com a sua experiência, disponibilidade e conhecimento do funcionamento da instituição, nos ajudaram a compreender os procedimentos e a dar os primeiros passos com maior segurança.
São profissionais que, diariamente, trabalham em prol dos fregueses, muitas vezes de forma discreta, mas absolutamente essencial para o funcionamento da Junta.
Uma instituição não se constrói apenas com quem a lidera. Constrói-se também com as pessoas que, todos os dias, garantem que ela funciona. E reconhecer esse contributo é um sinal de respeito, humildade e sentido de responsabilidade.
Fernando Neto - Se tivesse de resumir o ponto de partida numa frase, qual seria?
Sérgio Miguel Rocha
“Começámos com humildade, mas com uma enorme vontade de fazer mais e melhor, trazendo novas ideias, renovando a esperança e assumindo o compromisso de construir uma Freguesia de Nelas com mais futuro para todos.”
2. O que já melhorou?
Fernando Neto - Desde que assumiu funções, quais são as mudanças que considera mais importantes?
Sérgio Miguel Rocha
As mudanças mais importantes passam, desde logo, pela modernização dos serviços da Junta, com a remodelação do nosso site, tornando-o mais acessível e aproximando a instituição dos fregueses.
Outra prioridade é reforçar os recursos humanos próprios, sobretudo para dar uma resposta mais rápida e eficaz às necessidades de limpeza urbana e florestal, reduzindo a dependência de meios externos.
Queremos também implementar uma nova dinâmica de trabalho, com prioridades bem definidas, maior capacidade de organização e uma presença mais próxima no terreno, para conhecer os problemas e procurar soluções concretas.
Estamos a dar passos com os meios que temos, conscientes de que nem tudo se resolve de um dia para o outro. A nossa prioridade é transformar as ideias em trabalho visível, melhorar a capacidade de resposta da Junta e garantir que os fregueses sentem, no seu dia a dia, a diferença das decisões que tomamos.
Fernando Neto - Há alguma obra ou medida já realizada que lhe dê particularmente orgulho?
Sérgio Miguel Rocha
Uma das medidas de que me orgulho particularmente não é uma obra física, mas uma decisão que considero importante para o funcionamento da instituição e para as pessoas que nela trabalham.
Refiro-me à alteração do horário de funcionamento da Junta, uma medida que surgiu de uma sugestão dos próprios funcionários e que tive todo o gosto em acolher. Passámos a concentrar o atendimento nos restantes dias da semana, alargando o horário de funcionamento nesses dias e permitindo que os colaboradores estejam libertos à sexta-feira á tarde.
Acredito que a satisfação dos trabalhadores é fundamental. Pessoas valorizadas, motivadas e com melhores condições de conciliação entre a vida profissional e pessoal estão mais disponíveis para servir a comunidade.
Liderar também é saber ouvir, reconhecer boas ideias e ter a humildade de as colocar em prática. Esta medida demonstra a nossa forma de estar: uma gestão próxima, que valoriza os colaboradores e procura, simultaneamente, melhorar o serviço prestado aos fregueses.
Fernando Neto - E no contacto com a população: sente que a Junta está hoje mais próxima das pessoas?
Sérgio Miguel Rocha
Sim, esse tem sido um dos nossos objetivos. Procuramos estar presentes no terreno, ouvir diretamente as pessoas, acompanhar as situações que nos são transmitidas e dar resposta às preocupações do dia a dia, desde os problemas nos espaços públicos e nas vias da freguesia até às necessidades das famílias, das associações e da população mais idosa.
Muitas vezes, é numa conversa informal, numa visita ou no contacto direto com um habitante que identificamos situações que precisam da nossa atenção. É importante que as pessoas sintam que podem dirigir-se à Junta, expor os seus problemas e encontrar disponibilidade para as ouvir.
Naturalmente, nem sempre conseguimos resolver tudo com a rapidez que gostaríamos, até porque existem limitações de competências e de recursos. Mas procuramos acompanhar cada situação e encontrar soluções, em articulação com as entidades responsáveis, sempre que necessário.
Para mim, proximidade significa isto: estar presente, ouvir com atenção e transformar, sempre que possível, as preocupações das pessoas em ações concretas.
Fernando Neto - Quais foram os problemas que conseguiu resolver e quais continuam à espera de resposta?
Sérgio Miguel Rocha
Já conseguimos melhorar a limpeza urbana e florestal, reorganizar os serviços da Junta e criar a Botija Solidária, uma medida que não existia e que ajuda quem mais precisa.
Continuam por resolver algumas situações que dependem de outras entidades, mas não deixei nem vou deixar de insistir para que sejam resolvidas.
Sei que ainda há muito por fazer. Não prometo o que não posso cumprir, mas comprometo-me a continuar a trabalhar, a dar a cara e a lutar pelas respostas que a nossa população merece.
3. O que espera vir a fazer?
Fernando Neto - Olhando para os próximos anos, quais são as suas principais prioridades para Nelas?
Sérgio Miguel Rocha
Nos próximos anos, quero continuar a melhorar Nelas, sobretudo na limpeza, nos espaços públicos e na resposta às necessidades das pessoas.
Quero uma Junta mais próxima, mais organizada e capaz de resolver os problemas do dia a dia. Quero também continuar a apoiar quem mais precisa e a valorizar as nossas associações e a nossa comunidade.
Acima de tudo, quero estar presente, ouvir as pessoas e fazer acontecer. Sei que não consigo resolver tudo sozinho, mas aquilo que depender de mim terá sempre trabalho, dedicação e compromisso.
Fernando Neto - Há algum projeto que gostasse particularmente de concretizar?
Sérgio Miguel Rocha
Gostava particularmente de concretizar projetos que tivessem um impacto real na vida das pessoas e no desenvolvimento de Nelas.
Quero criar um mercado online de produtos regionais, para ajudar os nossos produtores e comerciantes a vender mais, chegar a novos clientes e trazer mais rendimento para a economia local. Quero também avançar com uma comunidade de energia, que possa contribuir para reduzir custos, e criar a Rádio de Nelas, dando voz às pessoas, divulgando as iniciativas locais e aproximando a comunidade.
Quero ainda valorizar as nossas associações, apoiar o desporto e promover as Termas da Felgueira, dando maior visibilidade ao que temos de melhor.
O meu objetivo é que estes projetos não fiquem apenas no papel: quero que criem oportunidades, apoiem os negócios locais e melhorem a vida de quem vive e trabalha em Nelas.
Fernando Neto - O que gostaria que estivesse diferente em Nelas quando terminar este mandato?
Sérgio Miguel Rocha
No final deste mandato, gostava de ver Nelas mais cuidada, com uma limpeza urbana e florestal mais eficaz, serviços da Junta mais organizados e uma resposta mais rápida aos problemas do dia a dia.
Fernando Neto - Que condições são necessárias para conseguir fazer mais — orçamento, apoio do Município, Governo, colaboração das instituições?
Sérgio Miguel Rocha
Para fazer mais por Nelas, precisamos de mais recursos, do apoio do Município e do Governo e, acima de tudo, de trabalhar em conjunto.
O orçamento da Junta é limitado, por isso, temos de procurar apoios e aproveitar todas as oportunidades para concretizar projetos importantes para a nossa comunidade.
Acredito também que devemos trabalhar lado a lado com as associações, os comerciantes, os produtores e todas as instituições da freguesia. Pelo bem da nossa comunidade, temos de colocar de lado as cores políticas e pensar primeiro nas pessoas. Nelas deve unir-nos, porque o que nos deve mover é o bem da nossa terra.
Da minha parte, continuarei a procurar soluções, a criar parcerias e a insistir no que for necessário.
Não me interessa de que partido vem a ajuda. Interessa-me que essa ajuda chegue às pessoas e contribua para melhorar Nelas.
Fernando Neto - Para finalizar uma questão mais pessoal. Quando um dia olhar para trás e recordar este período à frente da Junta de Freguesia de Nelas, o que gostaria que as pessoas dissessem sobre o seu trabalho?
Sérgio Miguel Rocha
Gostava que as pessoas dissessem que fui um presidente presente, que ouvi, que me preocupei com os problemas da população e que fiz tudo o que estava ao meu alcance para os resolver.
Não espero agradar a todos, nem prometo fazer tudo. Mas quero que reconheçam em mim alguém que trabalhou com honestidade, dedicação e respeito por todos, independentemente das suas cores políticas.
Acima de tudo, gostava que, no final, as pessoas sentissem que valeu a pena, que Nelas ficou melhor e que nunca me faltou vontade de fazer mais pela nossa terra. É esse o legado que quero deixar.
Fernando Neto – A pergunta que se impõe! É para continuar nas próximas eleições?
Sérgio Miguel Rocha
Sinceramente, neste momento, estou focado em trabalhar por Nelas e em cumprir o compromisso que assumi com as pessoas.
Esta é uma missão que levo muito a sério e à qual me dedico de corpo e alma. Sei que ainda há muito para fazer e quero deixar trabalho feito e resultados concretos.
Quanto às próximas eleições, o tempo o dirá. Sei que esta experiência me motiva a continuar a trabalhar pela nossa terra, mas, para já, a minha prioridade é honrar a confiança que as pessoas depositaram em mim.
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